{"id":36,"date":"2025-04-29T20:29:33","date_gmt":"2025-04-29T23:29:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/?page_id=36"},"modified":"2025-04-29T20:29:33","modified_gmt":"2025-04-29T23:29:33","slug":"mel-de-abelha","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/mel-de-abelha\/","title":{"rendered":"Mel de abelha"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o brasileira para o mel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Brasil, por possuir uma grande diversidade flor\u00edstica e clim\u00e1tica, \u00e9 um pa\u00eds que apresenta caracter\u00edsticas muito favor\u00e1veis \u00e0 apicultura que, aliadas \u00e0 presen\u00e7a das abelhas, especialmente as africanizadas, conferem-lhe um potencial fabuloso para a atividade ap\u00edcola (OLIVEIRA, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>Mel \u00e9 o produto aliment\u00edcio proporcionado pelas&nbsp;<em>Apis mel\u00edfera&nbsp;<\/em>L., a partir do n\u00e9ctar das flores ou da elimina\u00e7\u00e3o oriunda de partes vivas das plantas ou de eje\u00e7\u00e3o de insetos sugadores de plantas que se encontram sobre partes vivas de plantas, em que as abelhas recolhem, transformam, conciliam com subst\u00e2ncias espec\u00edficas pr\u00f3prias, conservam e deixam madurar nos favos da colmeia (Brasil, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p>Para atender a comercializa\u00e7\u00e3o e garantir a qualidade do mel, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA), por meio da Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00b0 11 de 20 de outubro de 2000, validou o Regulamento T\u00e9cnico de Identidade e Qualidade do Mel, acordando os requisitos m\u00ednimos de qualidade que deve exercer o mel proposto ao consumo humano (Brasil, 2000).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O mel \u00e9 classificado pela legisla\u00e7\u00e3o vigente (BRASIL, 2000) quanto a sua origem, procedimento de obten\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o\/processamento. Segundo sua origem, se tem:&nbsp;<strong>mel floral:<\/strong>&nbsp;obtido dos n\u00e9ctares das flores, que se divide em mel&nbsp;<strong>unifloral ou monofloral:<\/strong>&nbsp;quando o produto procede principalmente de flores de uma mesma fam\u00edlia, g\u00eanero ou esp\u00e9cie e possua caracter\u00edsticas sensoriais, f\u00edsico-qu\u00edmicas e microsc\u00f3picas pr\u00f3prias; mel&nbsp;<strong>multifloral<\/strong>&nbsp;ou&nbsp;<strong>polifloral<\/strong>: obtido a partir de diferentes origens florais e melato ou mel de melato: obtido principalmente a partir de secre\u00e7\u00f5es das partes vivas das plantas ou de excre\u00e7\u00f5es de insetos sugadores de plantas que se encontram sobre elas. Segundo o procedimento de obten\u00e7\u00e3o de mel, se tem:&nbsp;<strong>mel escorrido:<\/strong>&nbsp;obtido por escorrimento dos favos desoperculados, sem larvas;&nbsp;<strong>mel prensado:<\/strong>&nbsp;obtido por prensagem dos favos, sem larvas e&nbsp;<strong>mel centrifugado:<\/strong>&nbsp;obtido por centrifuga\u00e7\u00e3o dos favos desoperculados, sem larvas. Segundo sua apresenta\u00e7\u00e3o e\/ou processamento: mel: produto em estado l\u00edquido, cristalizado ou parcialmente cristalizado; mel em favos ou mel em sec\u00e7\u00f5es: produto armazenado pelas abelhas em c\u00e9lulas operculadas de favos novos, constru\u00eddos por elas mesmas, que n\u00e3o comporte larvas e seja comercializado em favos inteiros ou em sec\u00e7\u00f5es de tais favos; mel com peda\u00e7os de favo: produto que cont\u00e9m um ou mais peda\u00e7os de favo com mel, isentos de larvas; mel cristalizado ou granulado: produto que sofreu um processo natural de solidifica\u00e7\u00e3o, como consequ\u00eancia da cristaliza\u00e7\u00e3o dos a\u00e7\u00facares; mel cremoso: produto com estrutura cristalina fina e que pode ter sido submetido a um processo f\u00edsico, que lhe proporcione essa estrutura e que o torne f\u00e1cil de untar; mel filtrado: produto submetido a um processo de filtra\u00e7\u00e3o, sem alterar o seu valor nutritivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O mel \u00e9 notoriamente o principal produto proveniente da apicultura. Suas caracter\u00edsticas podem ser alteradas de acordo com o tipo de flor utilizada pelas abelhas, clima, solo, umidade, altitude, entre outros, afetando o sabor, a cor e tamb\u00e9m o aroma do mesmo (VENTURIN et al., 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O mel da regi\u00e3o Nordeste est\u00e1 entre os melhores do mundo. A Para\u00edba n\u00e3o est\u00e1 fora deste cen\u00e1rio, pois ocupa atualmente o segundo lugar regional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura f\u00edsica para beneficiamento de mel (CORREIO, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmica do mel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" \">As an\u00e1lises f\u00edsico-qu\u00edmicas do mel operam papel importante na fiscaliza\u00e7\u00e3o e no controle de qualidade. Desta forma, \u00e9 permitido comparar os resultados alcan\u00e7ados com padr\u00f5es citados por \u00f3rg\u00e3os oficiais, preservando o consumidor de comprar um produto adulterado, fraudado ou com manipula\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria (Silva et al. 2008; Silva, et al. 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de fundamental import\u00e2ncia a caracteriza\u00e7\u00e3o de m\u00e9is visando \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es, segundo os fatores edafoclim\u00e1ticos e flor\u00edsticos da regi\u00e3o, estabelecendo crit\u00e9rios comparativos nas an\u00e1lises e controlando poss\u00edveis fraudes desse produto (SODRE, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;A maior fra\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o do mel \u00e9 formada por hidratos de carbono, dentre estes os que est\u00e3o presentes em maior quantidade s\u00e3o a frutose com 38,4 %, a glicose (30,3 %) e a sacarose (1,3 %) (Iurlina &amp; Fritz, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma grande variabilidade na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e f\u00edsica do mel, devido especialmente, das fontes vegetais (origem floral) cujo o mel \u00e9 elaborado, mas tamb\u00e9m de diversos fatores, como a esp\u00e9cie da abelha, o solo, o estado fisiol\u00f3gico da col\u00f4nia, o estado de matura\u00e7\u00e3o do mel, as circunst\u00e2ncias meteorol\u00f3gicas quando da colheita, al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es de processamento e armazenamento (SILVA et al., 2004; ARR\u00c1EZ-ROM\u00c1N et al., 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A forma\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do mel \u00e9 complexa, contendo mais de 200 subst\u00e2ncias (ARR\u00c1EZ-ROM\u00c1N et al., 2006), sendo assim os carboidratos e a \u00e1gua s\u00e3o os constituintes b\u00e1sicos. Al\u00e9m dos a\u00e7\u00facares em solu\u00e7\u00e3o, o mel tamb\u00e9m comporta \u00e1cidos org\u00e2nicos, enzimas, vitaminas, flavon\u00f3ides, minerais e uma enorme variedade de compostos org\u00e2nicos, que contribuem para sua cor, odor e sabor (FINOLA et al., 2007; ESTEVINHO et al., 2012; IGLESIAS et al., 2012).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00f3lido sol\u00faveis totais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O mel \u00e9 qualificado por um alto conte\u00fado dos monossacar\u00eddeos glicose e frutose. Em fun\u00e7\u00e3o da pouca solubilidade, a glicose determina a tend\u00eancia da cristaliza\u00e7\u00e3o do mel, enquanto que a frutose, por ter alta higroscopicidade, possibilita a sua do\u00e7ura (SEEMANN, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Dentre os dissacar\u00eddeos detectados no mel, a sacarose prevalece, e quando certificadas em valores altos geralmente indica um mel \u201cverde\u201d ou adulterado. \u00c9 um a\u00e7\u00facar n\u00e3o redutor, pass\u00edvel de hidr\u00f3lise por meio de \u00e1cidos dilu\u00eddos ou enzimas (invertase), resultando nos monossacar\u00eddeos, frutose e glicose (VIDAL, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Os s\u00f3lidos sol\u00faveis correspondem a todas as subst\u00e2ncias que se encontram dissolvidas em um determinado solvente. S\u00e3o constitu\u00eddos principalmente por a\u00e7\u00facares, vari\u00e1veis com a esp\u00e9cie da planta e o clima. S\u00e3o designados como \u00baBrix e tem tend\u00eancia de aumento com a matura\u00e7\u00e3o. Os s\u00f3lidos podem ser medidos no campo ou na ind\u00fastria, com aux\u00edlio de um refrat\u00f4metro (CHITARRA, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O teor de s\u00f3lidos sol\u00faveis totais (SST), expresso como percentagem do peso da mat\u00e9ria fresca, apresenta alta correla\u00e7\u00e3o com o teor de a\u00e7\u00facares de modo positivo e, portanto, geralmente \u00e9 aceito como uma importante caracter\u00edstica de qualidade, e essencial durante a fermenta\u00e7\u00e3o que \u00e9 dada por encerrada com a estabiliza\u00e7\u00e3o do mesmo no fermentado e (AULENBACH &amp; WORHINGTON, 1974).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;pH<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pH do mel \u00e9 influenciado pela origem bot\u00e2nica, sendo geralmente inferior a 4,0 para mel de origem floral e superior a 4,5 para os m\u00e9is de melato. Pode ainda ser influenciado pela concentra\u00e7\u00e3o de diversos \u00e1cidos, c\u00e1lcio, s\u00f3dio, pot\u00e1ssio e outros constituintes das cinzas (AZEREDO, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O valor de pH do mel alterna entre 3,4 e 6,1, com uma m\u00e9dia de 3,9 (IURLINA; FRITZ, 2005). No entanto, o pH n\u00e3o est\u00e1 diretamente relacionado com a acidez, devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o de tamponamento de \u00e1cidos e sais minerais encontrados no mel (DE RODRIGUEZ et al., 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O pH determinado no mel refere-se aos \u00edons hidrog\u00eanio presentes numa solu\u00e7\u00e3o e pode influenciar na forma\u00e7\u00e3o de outros componentes, como na velocidade de produ\u00e7\u00e3o do hidroximetilfurfural (CARVALHO, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Acidez<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade e quantidade destes \u00e1cidos org\u00e2nicos variam em fun\u00e7\u00e3o de diferentes fontes do n\u00e9ctar, pela a\u00e7\u00e3o da enzima glicose-oxidase que origina o \u00e1cido glut\u00f4nico, pela a\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias durante a matura\u00e7\u00e3o do mel e ainda a quantidade de materiais presentes (ARA\u00daJO; SILVA; SOUSA, 2006), influenciando diretamente o pH do mel. De acordo com os padr\u00f5es vigentes de identidade e qualidade (BRASIL,2000), acidez do mel n\u00e3o deve exceder a 50 milequivalentes por quilo de mel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A acidez \u00e9 um significativo componente do mel, pois contribui para a sua estabilidade, frente ao desenvolvimento de microrganismos. Os \u00e1cidos dos m\u00e9is est\u00e3o dissolvidos em solu\u00e7\u00e3o aquosa e fornecem \u00edons de hidrog\u00eanio que promovem a sua acidez ativa, permitindo assim, indicar as condi\u00e7\u00f5es de armazenamento e ocorr\u00eancia de processos fermentativos (CRANE, 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Um dos \u00e1cidos fundamentais \u00e9 o gluc\u00f4nico que \u00e9 gerado pela a\u00e7\u00e3o da enzima glicoseoxidase sobre a glicose e est\u00e1 em equil\u00edbrio com a glicolactona (OLAITAN et al., 2007). Esta const\u00e2ncia denota a acidez lact\u00f4nica, isto \u00e9, uma reserva potencial de acidez, que juntamente com a acidez livre constitui a acidez total do mel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Segundo Bogdanov et al. (2010), a glicolactona est\u00e1 diretamente relacionada com a propriedade antimicrobiana do mel.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Os \u00e1cidos org\u00e2nicos do mel representam menos que 0,5% dos s\u00f3lidos, tendo um acentuado efeito no flavor, podendo ser respons\u00e1veis, em parte, pela \u00f3tima estabilidade do mel em frente a microorganismos (PEREIRA, et al., 2003). A legisla\u00e7\u00e3o tolera acidez m\u00e1xima de 50 mEq\/Kg de mel (BRASIL, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Umidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O teor de umidade e a sua atividade de \u00e1gua s\u00e3o os principais fatores que influenciam a preserva\u00e7\u00e3o da qualidade do produto, principalmente no tocante a degrada\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica deste produto (FERRAZ, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Na composi\u00e7\u00e3o do mel a \u00e1gua comp\u00f5e o segundo componente em quantidade, em geral variando de 15 a 21%, dependendo do clima, origem floral e colheita antes da completa desidrata\u00e7\u00e3o. O conte\u00fado de \u00e1gua no mel \u00e9, sem d\u00favida, uma das caracter\u00edsticas mais significante, podendo influenciar na sua viscosidade, peso espec\u00edfico, maturidade, cristaliza\u00e7\u00e3o, sabor, palatabilidade e conserva\u00e7\u00e3o (SEEMANN E NEIRA, 1988 apud MARCHINI et al., 2004). Normalmente o mel maduro tem menos de 18% de \u00e1gua (FR\u00cdAS, 2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Os microrganismos os mof\u00edlicos (tolerantes ao a\u00e7\u00facar), existentes nos corpos das abelhas, no n\u00e9ctar, no solo, nas \u00e1reas de extra\u00e7\u00e3o e armazenamento s\u00e3o capazes de provocar fermenta\u00e7\u00e3o no mel quando o teor de \u00e1gua for muito elevado (WHITE J\u00daNIOR,1978 apud MARCHINI; SODR\u00c9 E MORETI, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto a ser abordado \u00e9 o manejo utilizado para opercular o mel, ou seja, a abelha africanizada (Apis) de uma maneira geral, s\u00f3 opercula o mel quando este j\u00e1 se encontra em ponto de coleta (17% 18% de umidade), o que pode ser particularizado no caso de abelha nativa, a qual opercula os potes de mel com esses apontando ainda uma umidade em torno de 24%. (EVANGELISTA-RODRIGUES et al., 2005). LISTA-RODRIGUES et al., 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>O mel deve apresentar no m\u00e1ximo 20 g de umidade\/100g de mel analisado (BRASIL, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Cinzas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os minerais (cinzas) est\u00e3o presentes no mel em pequenas quantidades. Os teores de cinzas, em geral, variam de 0,1% (m\/m) a 1,0% (m\/m) (BOGDANOV, 1999).<\/p>\n\n\n\n<p>O conte\u00fado de minerais, bem como acidez, pH, prote\u00ednas e outras subst\u00e2ncias, est\u00e3o diretamente relacionadas com a condutividade el\u00e9trica do mel. Esta caracter\u00edstica pode ser usada como m\u00e9todo suplementar de an\u00e1lise da origem do mel (AGANIN,1971\u00b9 apud SODR\u00c9,2005).<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio do m\u00e9todo de determina\u00e7\u00e3o de cinzas \u00e9 poss\u00edvel determinar algumas irregularidades no mel, como exemplo a falta de higiene e a n\u00e3o decanta\u00e7\u00e3o e\/ou filtra\u00e7\u00e3o no final do processo de retirada do mel pelo apicultor (EVANGELISTA\u2013RODRIGUES, 2005). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e1ximo de cinzas permitido \u00e9 de 0,6g\/100g de mel, contudo no mel de melato e suas misturas com mel floral tolera-se at\u00e9 1,2g\/100g de mel (BRASIL, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Hidroximetilfurfural<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O uso de HMF (Hidroximetilfurfural) como um padr\u00e3o de qualidade \u00e9 fundamentado no fato de que, como este composto em geral \u00e9 encontrado em pequenas quantidades em meis rec\u00e9m-colhidos (mel fresco), os valores alterosos de HMF podem apontar altera\u00e7\u00f5es importantes geradas por armazenamento prolongado em temperatura ambiente alta e\/ou superaquecimento, al\u00e9m das adultera\u00e7\u00f5es provocadas por adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar invertido (SILVA et al., 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Segundo Fallico et al. (2004), a forma\u00e7\u00e3o de HMF ocorre devido a desidrata\u00e7\u00e3o de hexose catalisada por \u00e1cidos, aliada as propriedades qu\u00edmicas do mel (pH, umidade, acidez total e minerais).<\/p>\n\n\n\n<p>O hidroximetilfurfural (HMF) \u00e9 formado pela rea\u00e7\u00e3o de certos a\u00e7\u00facares com \u00e1cidos. Seu conte\u00fado pode aumentar com a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura, armazenamento, adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar invertido, podendo tamb\u00e9m ser afetado pela acidez, pH, \u00e1gua e minerais no mel. \u00c9 um indicador de qualidade no mel, visto que, quando elevado representa uma queda no seu valor nutritivo, pela destrui\u00e7\u00e3o, por interm\u00e9dio de aquecimento de algumas vitaminas e enzimas que s\u00e3o termol\u00e1beis.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00edveis de HMF aceitos pela Comunidade Europeia e pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o de no m\u00e1ximo 60 mg\/Kg (BRASIL, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Condutividade el\u00e9trica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas tem demonstrado valores de condutividade el\u00e9trica variando entre 66 e 2200 \u00b5S.cm<sup>-1&nbsp;<\/sup>(CRECENTE; LATORRE, 1993; ALMEIDA,2002), demonstrado a diversidade das caracter\u00edsticas do mel de acordo com a origem geogr\u00e1fica que \u00e9 produzido.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A condutividade el\u00e9trica pode ser utilizada como um par\u00e2metro suplementar na determina\u00e7\u00e3o da origem bot\u00e2nica do mel, tem correla\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado de cinzas, pH, acidez, sais minerais, al\u00e9m da prote\u00edna e outras subst\u00e2ncias presentes no mel (AGANIN, 1971).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;De acordo com Almeida em 2012, a condutividade el\u00e9ctrica depende do conte\u00fado em cinzas e \u00e1cido do mel. \u00c9 um bom crit\u00e9rio para avaliar a origem bot\u00e2nica de m\u00e9is monoflorais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Atividade de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Franco e Landgraf, atividade de \u00e1gua \u00e9 o par\u00e2metro que estabelece a \u00e1gua dispon\u00edvel no alimento para o metabolismo microbiano. A \u00e1gua que est\u00e1 ligada por for\u00e7as f\u00edsicas \u00e0s macromol\u00e9culas, n\u00e3o se encontra livre para agir como solvente ou para fazer parte de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e, portanto, n\u00e3o pode ser aproveitada pelos microrganismos.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Robinson &amp; Nigam (2003) as bact\u00e9rias resistem a valores de atividade de \u00e1gua de at\u00e9 0,75, as leveduras valores de at\u00e9 0,62 a 0,64 e os fungos filamentosos desenvolve-se rapidamente com atividade de \u00e1gua inferior a 0,85 e at\u00e9 0,61.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1gua \u00e9 o segundo composto mais significativo no mel, variando a quantidade de acordo com a \u00e9poca de colheita, fatores clim\u00e1ticos e grau de matura\u00e7\u00e3o da colmeia (Finola et al., 2007).<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade de \u00e1gua no mel \u00e9 de 0,5 a 0,6 (Iorlina &amp; Fritz, 2005) e a variabilidade deste elemento interfere na viscosidade do produto (Olaitan et al., 2007). Os m\u00e9is com uma aw \u2264 0,60 s\u00e3o biologicamente est\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A simples e r\u00e1pida determina\u00e7\u00e3o do teor de \u00e1gua, que \u00e9 o c\u00e1lculo realizado pela subtra\u00e7\u00e3o do valor de s\u00f3lidos sol\u00faveis totais (\u00baBrix) de 100, comprovou ser suficiente para estimar o risco de fermenta\u00e7\u00e3o de mel (RAMALHOSA et al., 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a legisla\u00e7\u00e3o portuguesa (Decreto-Lei 214\/2003 de 18 de Setembro) o limite m\u00e1ximo de \u00e1gua no mel \u00e9 20%.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracteriza\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o brasileira para o mel &nbsp;O Brasil, por possuir uma grande diversidade flor\u00edstica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":47,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-36","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/36","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/users\/47"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/36\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37,"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/36\/revisions\/37"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ct.ufpb.br\/lba\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}